quarta-feira, 25 de março de 2015

Suástica Cor-de-Rosa: Homossexualidade e Nazismo Esotérico

Scott Lively e Kevin Abrams
 
 
Nazi Gay AddPrática de Magia Sexual na Misteriosa Tradição religiosa ocidental
 
A História do Oculto no mundo é também uma história de homossexualidade. Por Ocultismo, entendemos no texto que segue as religiões formalizadas que expressam a cultura pagã e, por exemplo as ideias filosóficas do paganismo helénico. Em Occult Roots of Nazism, o historiador Nicholas Gooddrick-Clarke identifica as raízes do Ocultismo na história ocidental nos seguintes termos.

Ocultismo tem sido uma base religiosa de pensamento que se volta para a antiguidade... Entre os seus principais ingredientes que tem sido citados: o Gnosticismo, os Tratados Herméticos, a Alquimia, o Neo-Paganismo e a Cabalah... Gnoticismo refere-se a certos heréticos entre os cristãos que clamavam possuir a Gnosis, um conhecimento esotérico sobre matérias espirituais. Os gnósticos desapareceram no quarto século, mas não as suas ideias maniqueístas.

Assim o ocultismo está ligado ao gnosticismo e a associação dos gnósticos com a homossexualidade é de primária relevância no estudo. Portanto, nós achamos a referência obscura de Hitler com o maniqueísmo de Stevan Kat’z em 'The Holocaust in Historical Context', Volume 1, muito interessantes. 'Witchcraft and Gay Counterculture' de Arthur Evans dá-nos uma luz aqui. Mani, por quem o Maniqueísmo é nomeado, foi um príncipe da Babilónia no século três, que formou a sua própia forma de gnosticismo. Os gnósticos voltavam-se para rituais pagãos de sexo e em adoração a grande Deusa, Sofia (ou Sophia) e “renegavam o Jehovah Cristão como um demónio”. Maniqueísmo impôs no Gnosticismo uma organização e um sistema de castas com líderes (eleitos) e seguidores (cabeças). Um maniqueísta escolhido era chamado de Bogomils (mais tarde chamado de Cathars). Originalmente este sistema floresceu na Arménia e na Bulgária e então se espalhou pela Europa. A homossexualidade então torna-se fechada com esse búlgaros heréticos e a prática ritual se volta para a “sodomia”. De facto, “a palavra cathar nas linguagens europeias tornou-se uma palavra para o homosexualismo: na Germania, Ktzwer, Gazarro, e na França Herite… Heresia e homossexualidade tornam-se intermutáveis para aqueles que são acusados de heresia tentando assim provar inocência e heterossexualidade.”

Provavelmente todos nós tomamos como certo o facto de que hoje a nossa cultura do mundo moderno é dominado pelas religiões com base na lei mosaica (isto é, o Judaísmo, Cristianismo e Islamismo). Em suas formas ortodoxas cada uma destas religiões trata a homossexualidade como uma abominação. Mas as culturas pagãs não têm essa proibição. (Por definição, os pagãos são pessoas que não são judeus, cristãos ou muçulmanos). Nas culturas pagãs, os homossexuais frequentemente tem uma posição elevada na religião e na sociedade. Quando as civilizações pagãs governavam o mundo o homossexualismo e a pederastia eram amplamente praticados e aceites. O autor Judy Grahn escreve:

“Muitos aspectos do xamanismo possuiam conteúdo homossexual, e muitos dos deuses, espíritos e divindades do mundo têm sido associados à homossexualidade. No Taiti havia divindades especiais para a adoração homossexual. Os antigos templos xintoístas do Japão exibem até hoje cenas de orgias sexuais rituais semelhantes aos da Bacanália dos romanos... a Grande Deusa Mãe da antiga China, Kwan-Yin, era adorada com rituais sexuais que incluíam sexo anal entre homens. Quando os conquistadores espanhóis chegaram à América Central encontraram uma prevalência de sacerdotes gays e estátuas sagradas e esculturas em pedra representando a união homossexual como um acto sagrado. No Yucatan, o deus Chin era famoso por ter estabelecido a homossexualidade sagrada e um sacerdote gay servia nos templos exactamente como acontecia com os templos da antiga Babilónia e Suméria.”

O escritor cristão George Grant concorda em seus próprios termos: Ele escreve que "Roma era um Satyricon perpétuo. Egipto, Pérsia, Cartago, Babilónia e Assíria estavam impregnadas de tradições pederastas. E os antigos impérios dos mongóis, tártaros, hunos, teutões, celtas, incas, astecas, maias, núbios, mings, os cananeus, e zulus igualmente celebravam a depravação, degradação e deboche" (Grant, 1993:24). Em sexualidade e homossexualidade, o historiador Arno Karlen escreve de cultos homossexuais em todo o mundo antigo: existiam "miches” entre os devotos de Ishtar e Astarte, na Síria, os albaneses e os babilónios, os cananeus vizinhos dos hebreus antigos, e em Cos, em Creta e Éfeso, e por todo mundo grego.” (Karlen:6).

A antiga religião de Baal, familiar aos estudantes da Bíblia como o conjunto de crenças e práticas que muitas vezes corrompia a sociedade hebraica na história, foi um destes culto. Os adoradores de Baal construíram para si lugares altos, e colunas, e aserins (postes fálicos usado para honrar a deusa da fertilidade), em todo o outeiro alto e debaixo de toda árvore verde, e havia também sodomitas na terra. A referência a estas práticas é encontrado em vários lugares na Bíblia, nomeadamente Deuteronómio 23:17-18: "Não haverá prostituta dentre as filhas de Israel; nem haverá sodomita dentre os filhos de Israel. Não trarás o salário da prostituta nem preço de um sodomita à casa do SENHOR teu Deus por qualquer voto; porque ambos são igualmente abominação ao SENHOR teu Deus."

O culto a Baal sobreviveu nos tempos romanos e teve grande importância no deboches infame dos imperadores romanos nos primeiros séculos depois de Cristo. Karlen escreve:

Foi em associação com tais cultos imperadores que o desvio "tornou-se mais flagrante. Commodus, que assumiu o trono em 180, apareceu em público vestido de mulher e foi sufocado por seu catamitico [homossexual] favorito; Adriano deificou o seu amante Antinous. Mas nem corresponde á Elegabalus, que começou o seu reinado com a idade de catorze anos, em 218, depois de ter sido levantado na Síria como um sacerdote de Baal. Ele entrou em Roma em meio a sacerdotes sírio e eunucos, vestido de sedas, as bochechas pintadas de vermelho e os olhos pintados. Vários historiadores romanos dizem que ele reuniu os homossexuais de Roma e dirigiu-se vestido como um miché, colocou uma peruca e solicitou à porta de um bordel, tentou fazer com que os médicos o transformassem numa mulher, ofereceu-se para sodomia enquanto fazia o papel de Vénus num tribunal; beijou os genitais dos seus homens predilectos em público e, como o Nero, era formalmente casado com um deles... Elegabalus ergueu em Roma os grandes bosques fálicos que os reis hebreus tentaram purgar de suas terras" (Karlen: 62).

É relevante salientar que esta época do império romano pode ser considerado o Holocausto dos cristãos. Em 64 dC os cristãos foram acusados por Nero pela queima de Roma e foram alvo de extermínio. Muitos cristãos sofreram torturas inimagináveis para entretenimento dos imperadores da Roma homossexual sádica. Apesar de Roma ter sido menos homossexual comparada com a Grécia, a sociedade romana, no entanto, foi fortemente influenciada por práticas homossexuais. Em 'Homossexualidade, Torá e Graça", os relatórios de Dwight Pryor dizem que 14 dos 15 primeiros imperadores romanos eram homossexuais. Em 'The Construction of Homosexuality', o historiador David F. Greenberg escreve que "o gosto romano homossexual eram tão aceite que, quando Herodes Antony pediu para enviar o seu irmão mais novo, Aristóbulus para o tribunal romano, Herodes recusou-se porque não achava seguro enviá-lo, pois os romanos iriam abusar dele nos seus amores" (Greenberg: 154f). Embora existam muitas diferenças entre o tratamento dos cristãos na Roma pagã e dos judeus na Alemanha nazi, a proeminência da homossexualidade entre os principais autores de ambas as atrocidades dos dois não pode ser ignorada.

À medida que procuramos entender o nazismo, é importante lembrar que o judaísmo e os seus desdobramentos cristãos e islâmicos são fundamentalmente opostos à homossexualidade. Quando começarmos a compreender a relação entre homossexualidade e ocultismo, por um lado, e entre homossexuais e do nazismo, por outro, o ódio dos nazis para os judeus e os cristãos podem ser mais facilmente explicado. Os judeus foram os responsáveis pelo fim da dominação do mundo pagão. A sua teologia (especialmente em sua forma cristã) baniram práticas pagãs, inclusive a homossexualidade, a uma subcultura oculta e, muitas vezes criticada. Isso não quer dizer que o anti-semitismo é estritamente um resultado de influências ocultas ou homossexuais. Mas, na sua raiz, já há um elemento espiritual do Holocausto, que sugere que era, em alguns aspectos, a vingança contra as pessoas cujas leis morais relegou as religiões pagãs sexuais à obscuridade e ignomínia.

Além disso, enquanto o Cristianismo fez grandes progressos na limitação de práticas pagãs, que não foram eliminadas, sob pressão judaico-cristã cultural, sobreviveram crenças e práticas pagãs, incluindo perversão sexual que foram obrigadas a abandonar a vida pública, e ressurgiram assim em sociedades secretas e místicas/ocultistas.

É importante para o nosso estudo reconhecermos que os nazis foram fortemente influenciados pelas crenças pagãs ocultas e, adicionalmente, que a homossexualidade é fundamental para muitos sistemas de crenças pagãs. Como observou Greenberg, isso é especialmente verdadeiro em relação às "sociedades guerreiras aristocráticas" (ibidem: 111). Também é importante reconhecer que a homo-ocultismo manteve uma parte das culturas pagãs ao longo dos séculos até o presente, embora a predominância global da ética judaico-cristã sexual tenha limitado a sua aceitação na maioria das sociedades pagãs modernas, como a China e no Japão. Quando os missionários jesuítas chegaram no século XVI, a China, por exemplo, eles descobriram a pederastia generalizada (Spence: 220) e moveram-se rapidamente para a erradicar. Rossman inclusive compara "a pederastia institucionalizada da classe guerreira privilegiada da estrutura pederastas no Japão medieval militar"  com a da "sociedade nazi"(Rossman, 23).

Greenberg possui dezenas de relatórios de sociedades consideradas primitivas e na maior parte pagãs e modernas que praticam a homossexualidade em ritual e normalmente pederastia. Essas sociedades são encontradas em todo o mundo, inclusive no Brasil, Nova Guiné, Marrocos, África subssariana, e da Malásia. Greenberg escreve: "Em muitas sociedades, as relações homossexuais masculinas são estruturadas por idade ou geração: o parceiro mais velho tem um papel definido como activo ou masculino, os mais jovens, um papel definido como passivo ou feminino... [Em muitos casos] As práticas homossexuais são justificadas pela crença de que um menino não vai amadurecer sem essas atenções" (Greenberg: 26ff).

Tais sociedades modernas são perfiladas na Sambia, pelo antropólogo Gilbert Herdt, que também estudou a homossexualidade em culturas primitivas. Ele escreve que "a homossexualidade-ritual tem sido relatada por antropólogos em áreas espalhadas por todo o mundo [revelando] uma ligação bem estabelecida entre homossexualidade-ritual e o ethos guerreiro. Nós encontramos estas formas similares de homossexualidade guerreira em lugares tão diversos como Nova Guiné, Amazónia, Grécia Antiga, e no Japão Feudal" (Herdt: 203). O processo de iniciação de um rapaz homossexual nessas sociedades é terrível: ele é privado de sono, fome, espancado e estuprado por vários dias até que ele seja completamente "ressocializado" como um homossexual (ibid: 179f).

Assim, a homossexualidade no paganismo não é uma relíquia da antiguidade, mas um fenómeno em curso nos dias actuais. E a prevalência dos homossexuais como líderes ocultistas continua até hoje. No contexto da cultura ocidental, isso pode ser simplesmente porque os homossexuais gravitam em torno de filosofias que se opõem à moralidade judaico-cristã. Mas isto não explicaria a universalidade da aproximação de rituais homossexuais em culturas primitivas e pagãs pré-cristãs. O homossexual Laurence J. Rosan escreve que "os sacerdotes destas religiões politeístas ou espirituais esperam que eles sejam diferentes – inexplicáveis, excêntricos, dando a visões, pronunciamentos dramáticos e assim por diante - uma oportunidade ideal para homossexuais masculinos e femininos "(Rosan: 268f)!. A Bíblia, entretanto, oferece a sua própria explicação, definindo não a homossexualidade de um indivíduo como um factor incidental na religião pagã, mas, pelo menos em alguns casos, como consequência de "adorar a criação em vez do Criador.". Em  Romanos 1:18-27 vemos o seguinte:

18-20 Mas Deus mostra, dos céus, a sua ira contra todo o pecado e a injustiça dos homens, que impedem a revelação da verdade pela sua perversidade. Porque o que acerca de Deus se pode conhecer, eles sabem-no instintivamente. Deus manifesta-lhes essas coisas nas suas consciências. Desde a criação do mundo que os homens entendem e claramente vêem, através de tudo o que Deus fez, as suas qualidade invisíveis - o seu eterno poder e a sua natureza divina. Não terão, portanto, desculpa de não conhecer Deus.

21 Pois ainda que tendo conhecido Deus, não o adoraram como Deus e nem sequer lhe agradeceram todos os seus cuidados diários. Antes começaram a formar ideias absurdas. O resultado foi que as suas mentes insensatas se tornaram obscuras.

22-23 Dizendo-se sábios, tornaram-se loucos. E então, em vez de adorarem o Deus glorioso e eterno, fizeram para si próprios ídolos com a forma de homens mortais, de aves, de quadrúpedes e de répteis.

24-25 Por isso Deus os abandonou a si mesmos, deixando-os entregar-se a toda a espécie de perversões dos seus instintos, fazendo até as coisas mais indignas, com os corpos uns dos outros. Em vez de aceitarem a verdade de Deus, preferiram a mentira. Honraram e serviram coisas que são criadas em vez do próprio Criador, que é louvado eternamente. Amém.

26 Foi por isso que Deus se afastou deles e os deixou fazer todas essas práticas infames. Até as mulheres mudaram o uso natural que Deus destinou ao seu corpo e entregaram-se a práticas sexuais entre si mesmas.

27 E os homens, deixando as relações sexuais normais com mulheres, inflamaram-se em paixões sensuais uns com os outros, homens com homens, e recebendo em si mesmos o devido castigo pela sua perversão.

Ironicamente, o evento bíblico que marca o início de práticas homossexuais no mundo é a mesma que é mal interpretada por pseudo-cristãos e supremacistas brancos para justificar suas teorias raciais. O pesquisador cristão Dwight Pryor dá a seguinte interpretação (que temos resumido) de uma passagem bíblica familiar. Em Génesis 9, Noé caiu inconsciente de beber muito vinho e enquanto ele estava incapacitado Ham viu [ou descobriu] a sua nudez". Este termo, utilizado principalmente no livro de Levítico, é um eufemismo hebraico para o intercurso sexual. "E despertou Noé do seu vinho, soube o que seu filho havia feito para ele". Como resultado do seu ataque sexual a seu pai, Ham é amaldiçoado por Noé. (Em "Call of Torah" o rabino Elie Munk cita estudiosos hebreus que também interpreta violação Ham como "um acto de pederastia") - (Munk: 220). Assim, Ham torna-se Canaã, para quem a terra de Canaã é nomeada. Algumas gerações mais tarde, as cidades cananeias de Sodoma e Gomorra seriam destruídas por Deus por causa da homossexualidade. Supremacistas brancos referem-se a Ham como o pai das raças de cor que eles chamam de "povo da lama". Mas é sobre a perversão homossexual, não sobre a cor da pele, que é associada a maldição de Canaã.
 
Blavatsky.jpgMadame Blavatsky e Sociedade Teosófica

Uma análise das influências homo-ocultista sobre os nazis deve começar com a mística russa - Helena Petrovna Blavatsky (1831-1891), fundadora da Sociedade Teosófica e uma figura que paira por trás de algumas das acções que definem e as crenças do nazismo. Blavatsky foi, provavelmente, uma lésbica, mas talvez apenas uma "enrustida". Ela é descrita como uma mulher muito "masculina" que dominou os seus muitos seguidores, tanto homens e mulheres (Cavendish: 250). Ela foi casada duas vezes e manteve uma longa associação com a Sociedade Teosófica e o co-fundador Henry Olcott, mas estas parecem ter sido relações de conveniência. Blavatsky insistiu que ela nunca tinha feito sexo com seu marido (Meade: 137) e escreveu: "Não há nada de uma mulher em mim. Quando eu era jovem, se um jovem se atrevesse a falar-me de amor, eu teria dado um tiro como em um cão que me mordeu "(ibid.: 50).

No famoso mundo ocultista, Blavatsky fundou a Sociedade Teosófica em 1875 em Nova Iorque, mas logo mudou a sua operação para a Índia, onde ela escreveu um livro sobre ocultismo influente chamado "A Doutrina Secreta", em 1888. Em "A Doutrina Secreta" Blavatsky expõe a teoria teosófica da criação, uma progressão de sete etapas da evolução humana em que sucessivas "raças" evoluem de uma menor para uma forma superior de vida. Ela chama estas fases de "raças-raízes", e identifica a nossa "raça-raiz" actual como a quinta de sete - a raça ariana - que segue a quarta corrida, conhecida como a Atlântida. Blavatsky usou uma variedade de símbolos esotéricos no livro, incluindo triângulos e suásticas. Ela alegou ser a porta-voz escolhida para dois "mestres ascensos", que se comunicavam telepaticamente com ela a partir da sua morada secreta no Tibete (Goodrick-Clarke, 18s).

Em 1884, a primeira Sociedade Teosófica alemã foi fundada. Apesar dos seus dogmas, a Teosofia tornou-se extremamente popular na Alemanha e na Áustria. Seu elitismo racista ariano recorreu para o número crescente de alemães étnicos cuja voelkisch, ou sentimentos, nacionalista exigia uma Alemanha reunificada. Segundo Blavatsky, os arianos eram as pessoas mais avançadas espiritualmente na terra, mas os judeus tinham uma religião de ódio e rancor contra tudo e todos fora de si mesmo. Esta foi uma mensagem feita sob medida para o nazismo nascente.

Antes de morrer, em 1891, Blavatsky escolheu a sua discípula britânica Annie Besant, para ser sua sucessora. Besant, que havia sido uma cristã devota, tornou-se numa ocultista dedicada após a reunião Blavatsky. James Webb escreveu:

"As transformações extraordinárias da Sra. Besant de mulher de ministro anglicano para militante do controlo da natalidade, propagandista e dirigente sindical e teosófica são bem conhecidas... Nethercot Arthur, seu biógrafo, sugere um elemento de lesbianismo na dominação rápida da Sra. Besant por Helena Blavatsky" (Webb: 94).

"Ela abordou Annie com termos estranhamente agradáveis", escreve Nethercot , "Querida", "Minha Querida", "Minha amada", e assinando-se "muito adorável". Nethercot também relata que "ela enviou missivas a Annie... e dirigiu-se a ela como "Minha querida Penélope 'de' Seu... Ulisses feminino" (Nethercot: 306).

O "Mentor e parceiro" de Besant na gestão da Sociedade Teosófica foi Charles Leadbeater, que Webb descreve como "esse tipo de semi-clérigo homossexual que é tão familiar agora como era então" (Webb: 95). Mas a homossexualidade de Leadbeater não era "leve" o suficiente para mantê-lo longe de problemas. "Desde os seus primeiros dias como uma cura Hampshire até o fim de sua vida", escreveu Webb, "ele parece ter um gosto incurável por homens jovens" (ibid.: 95).

Certa vez Leadbeater afirmou ter descoberto o novo Messias - o Cristo retornado - na pessoa de um jovem indiano chamado Jiddu Krishnamurti. Krishnamurti ganhou aceitação internacional entre os seguidores da Teosofia como o novo salvador. O pai do menino quase arruinou o esquema para o teósofo, no entanto, quando ele acusou Leadbeater de corromper o seu filho. "Não há a menor dúvida que Leadbeater usou todos os seus velhos truques novamente" (ibidem: 102).

Sob Besant e Leadbeater, a Teosofia atraiu uma popularidade ainda maior. Os escritos de ambos Besant e Leadbeater, bem como Blavatsky, foram traduzidos e publicados na Alemanha. Em 1892, o periódico Lotus Flowers, famoso por publicar os escritos de Blavatsky, "foi a primeira publicação alemã a trazer a suástica teosófica sobre sua capa" (Goodrick-Clarke, 25). Com o passar do tempo outros grupos ocultistas teosóficos foram formados na Alemanha e na Áustria. Vários desses grupos que forneceram a base filosófica para o nazismo.
 
GuidoGuido von List e da Ordem Armanos

Guido von List (1848-1919) foi o primeiro a combinar o nacionalismo alemão e os ensinos ocultistas da Teosofia. Um crítico severo do Cristianismo, especialmente do Catolicismo, List havia se convertido ao Wotanismo (culto de Wotan, o deus das tempestades da antiga Alemanha) quando ainda adolescente. Anos mais tarde List "tornou-se uma figura culta na borda oriental do mundo alemão. Ele foi considerado pelos seus leitores e seguidores como um patriarca velho e barbudo e um guru nacionalista místico, de olhar clarividente que contemplava o passado glorioso ariano e alemão da Áustria  sob os escombros das influências estrangeiras e da cultura cristã "(Goodrick-Clarke: 33).

Embora casado duas vezes, List era quase certamente homossexual. Os seus parceiros incluíam Jorg Lanz von Liebenfels e Harald Gravelle, também igualmente ocultistas e homossexuais. Gravelle, um teosofista líder na Alemanha, contribuiu também para a primeira revista gay do mundo, Der Eigene. Em 1908 aproximou-se de Guido von List para promover a sua pesquisa sobre Ariosofia e nesta época tornou-se violentamente anti-semita (ibid.: 43).

As actividades ocultas de List variaram em amplo espectro. Ele era um especialista no alfabeto Runico e escreveu vários livros sobre o assunto. Ele ficou particularmente encantado com o símbolo dual relâmpago (Sowilo/Sigel) que se tornaria mais tarde a designação para a SS. (J. Jones S.: 125). Ele era também um mestre oculto autodenominado, afirmando ser "o último dos magos Armanistas que antes detinham a autoridade, no velho mundo ariano" (Goodrick-Clarke, 33). Mas List também esteve envolvido no tantrismo hindu, uma forma de magia negra que incorpora rituais sexuais (JS Jones: 124). Conforme descrito em "Cavendish’s Man, Myth and Magic", tantrismo é uma religião em que "há uma série de ritos que são considerados, incluindo adultério, incesto e, nos planos mais elevados, relações sexuais com os demónios... A Perfeição é adquirida, satisfazendo todos os desejos"(Cavendish: 2780).

Em 1911, List formou uma organização elitista oculta chamado Hoeher Armanos-Order ("Grande Ordem da Arménia"). A HAO era um sacerdócio hierárquico em que ele era o Grande Mestre. List reivindicou que esse culto era o herdeiro de uma antiga ordem de reis-sacerdotes chamado Armanenschaft ("Armanos Order"). Este grupo foi uma das maiores influências no nazismo oculto. Goodrick-Clark escreve:

"List projectou para um novo império pan-alemão [baseado num renascimento do Armanenschaft] de forma detalhada e inequívoca. Apelou para a sujeição cruel de não-arianos aos mestres arianos em um estado altamente estruturado e hierárquico. A qualificação dos candidatos [para as posições na nova ordem social]... repousava apenas na sua pureza racial... Mas List foi ainda mais longe, antecipando o elitismo místico da SS na Alemanha nazi... List elaborou capítulo oculto dentro da ordem exclusivamente masculino." (Goodrick-Clarke: 64f).

Este não é apenas um design muito semelhante aos planos posteriores de Heinrich Himmler para o Estado controlado pela SS, mas é também uma reminiscência da filosofia militarista de Friedlande, uma supremacia masculina.

Embora a Ordem Armanos nunca tenha sido uma grande organização, os seus membros incluíam membros do alto escalão da sociedade austríaca (ibid.: 233n). Uma pessoa em especial viria a ser muito importante para a ascensão do nazismo: o próprio Adolf Hitler. Após a queda do Terceiro Reich, um livro escrito por Guido von List foi encontrado na biblioteca privada de Hitler. Na capa havia a dedicatória: "Para Adolf Hitler, meu querido irmão em Armanos", evidência suficiente para concluir que Hitler pertenceu ao grupo (JS Jones: 124; Waite, 1977:90).
 
LanzJorg Lanz von Liebenfels e Ariosofia

Mas existe um ocultista ainda mais influente sobre Hitler e o nazismo do que List, o seu nome foi Jorg Lanz von Liebenfels (1874-1954). Lanz foi um ex-monge cisterciense que tinha sido expulso da ordem "por seus desejos carnais e mundanos" (Sklar, 19). Uma vez que a Ordem de Cister foi um mosteiro masculino, presume-se que indiscrições Lanz eram de natureza homossexual. Foi através de Lanz que Hitler iria aprender que muitos dos seus heróis da história também eram "homossexuais praticantes" (Waite, 1977:94 f). Depois de ser expulso do mosteiro, Lanz fundou a sua própria ordem ocultista chamada Ordo Templi Novi ou a Ordem do Novo Templo (ONT). O ONT estava relacionada com a Ordo Templi Orientis ou Ordem do Templo do Oriente, que, como organização List, praticava rituais tântricos (Howard: 91).

Ambas as ordens foram modeladas segundo os Cavaleiros Teutónicos e os Cavaleiros Templários, ordens monásticas fundadas em 1118 para lutar nas Cruzadas (Goodrick-Clarke: 60). Após as Cruzadas, os templários voltaram para a Europa, mas a sua organização não se desfez. Em vez disso, seus membros fundaram mosteiros que se tornaram centros de comércio e influência. No início de 1300 os Cavaleiros Templários foram condenados pelo Papa Inocêncio III por perversão homossexual e práticas ocultistas. Eles foram levados a julgamento, mas absolvidos pelo Rei Filipe o Belo da França. Igra escreve:

"Há uma história [da homossexualidade] mórbida nas datas sangrentas dos Cavaleiros Teutónicos... As suas vidas pessoais eram tão infames como as infâmias mais amplamente divulgadas dos seus Cavaleiros irmãos, os templários. Estes últimos tornaram-se tão corruptos que levaram a prática da sua 'Cardeal vice' [a homossexualidade] durante um culto religioso... Houve inúmeros julgamentos públicos, onde os detalhes mais revoltantes foram trazidos à luz" (Igra: 18).

Outros já confirmaram a prevalência da homossexualidade entre os Cavaleiros Teutónicos. Adolf Brand escreveu em Der Eigene que "a Edda [mitologia nórdica] exalta a homossexualidade, como a maior virtude dos teutónicos (Oosterhuis e Kennedy: 236f). Líderes nazis, especialmente Himmler, ficaram fascinados com os teutões. Sklar escreve que "Como List e Lanz, Himmler era obcecado com a Ordem dos Cavaleiros Teutónicos" e que "viu a sua Guarda Negra [SS] como uma elite de guerreiros teutónicos" (Sklar: 14s). Da mesma forma, o herói de Hitler, Frederico, o Grande "reviveu os vícios dos Cavaleiros Teutónicos" no seu exército (Igra: 19).

As Ordensburgen ("Castelos da Ordem") de Hitler eram "as maiores academias residenciais para a formação da elite nazi" e "recebeu o seu nome a partir da fortaleza medieval construída pelos cavaleiros da Ordem Teutónica" (Snyder: 261). Convinha, então, que a bandeira da suástica fosse pioneiramente erguida sobre uma dessas fortalezas. No dia de Natal de 1907, muitos anos antes que a suástica ser o símbolo do Terceiro Reich, Lanz e outros membros da ONT ergueram uma bandeira com a suástica sobre o castelo que Lanz tinha comprado para a Ordem (Goodrick-Clarke: 109). Lanz escolheu a suástica, disse ele, porque era o símbolo pagão antigo de Wotan (Cavendish: 1983). O Wotanismo, aliás, foi reivindicado por List como tendo sido a religião nacional dos teutões (Goodrick-Clarke, 39).

O jornal da ONT foi chamado Ostara, o nome da contraparte feminina de Wotan no panteão germânico. Alguns dos títulos de panfletos Ostara incluiram "Os Perigos dos Direitos da Mulher e da necessidade de uma moralidade masculina dos Mestres", e "Introdução à Sexual-Física, ou o amor como Energia  Odica". Lanz alegou que a homossexualidade era o resultado de influências “ódicas” (Waite, 1977:93 f). Lanz odiava as mulheres, escrevendo que "a alma da mulher tem algo pré-humano, algo demoníaco, algo enigmática sobre ele" (Rhodes: 108). Ele culpou as impurezas raciais em mulheres promíscuas que se uniam com os "homens de raças inferiores."

As filosofias ocultas de Lanz, que ele apelidou de Ariosofia (ariana + sofia), foram uma ampliação nas ideias de Guido von List. Para a fundação da Teosofia e do nacionalismo alemão, Lanz adicionou o tema popular do darwinismo social, promovido pela Ernst Haeckel, a pela Liga Monista. Haeckel é hoje famoso por sua teoria ter desmascarado que "a ontogenia recapitula a filogenia", a ideia de que o jovem não nascido de todas as espécies passam por diferentes estágios embrionários que recapitulam a evolução dos filos sucessivas. Mas na Alemanha pré-nazi, Haeckel era famoso pela sua aplicação do conceito de Darwin da "sobrevivência do mais apto" para a sociedade humana. Cambridge historiador e jornalista London Times Ben Macintyre escreve:

"O embriologista alemão Haeckel e sua Liga Monista disse ao mundo e, em particular, à Alemanha, que toda a história das nações é explicável por meio de selecção natural: Hitler e as suas teorias transformam esta pseudo-ciência em política, tentando destruir raças inteiras em nome da pureza racial e da sobrevivência do mais apto... Hitler chamou o seu livro 'Mein Kampf', 'Minha Luta', ecoando a tradução da frase de Haeckel, de Darwin 'a luta pela sobrevivência'" (Macintyre: 28 º F).

Ariosofia iria alimentar a imaginação da elite nazi, apesar (ou talvez por causa) de suas qualidades lunáticas. "Lanz fulmina", escreve Goodrick-Clarke, "a tradição cristã da falsa compaixão para com os fracos e inferiores e exigiu um comportamento cruel com os menos favorecidos" (Goodrick-Clarke: 97). Waite relata que Hitler era um ávido fã de Ostara e desenvolveu a sua filosofia anti-semita, com a ajuda de panfletos racistas publicado e distribuído por Lanz e Guido von List.

Hitler, em "Mein Kampf" diz que comprou muitos destes panfletos anti-semitas. Esses panfletos, que eram tão importantes para a formação do pensamento político de Hitler, foram distribuídos por uma sociedade visceralmente anti-semita chamado List-Gesellschaft. Os seus artigos eram foram escritos por dois panfletários agora esquecidos, Georg Lanz von Liebenfels (1872-1954) e Guido von List (c. 1865-1919). De todos os panfletos racistas disponíveis para Hitler durante esses anos, apenas aqueles escritos por Lanz e List vinham expressamente e em pormenores as ideias e teorias que se tornaram inconfundivelmente as características do próprio Hitler. Só eles pregavam a teoria racial da história, que proclamou a santidade e a unicidade da raça dos arianos, e só eles defenderam a necessidade da criação de um estado racialmente puro que batalhasse até à morte das raças inferiores que os ameaçava; e apenas eles exigiam o domínio político de uma elite racial liderada por um líder quase religiosamente militar. As ideias políticas de Hitler foram posteriormente desenvolvidas e reforçadas em círculos racistas de Munique depois da guerra de 1919-1923, mas a sua génese foi em Viena, sob a influência de Lanz e List (Waite, 1977:91).

Em 1958, Wilhelm Daim, um psicólogo austríaco, publicou um estudo de Lanz intitulado 'Der Mann der Ideen gab Hitler Die' ("O homem que deu a Hitler as suas ideias"). No livro, conta que Daim Lanz conheceu Hitler em Viena, quando este tinha 20 anos. Hitler visitava frequentemente livrarias ocultistas e ele usou os seus contactos em alguns deles para localizar Lanz, depois de ter dificuldade em encontrar os novos números de Ostara. Enquanto ele foi destituído, em Viena, Hitler "arduamente defendeu ideias de Liebenfels contra os cépticos", escreveu Snyder (Snyder: 211). Em 1932, 23 anos depois daquele encontro fatídico, Lanz escreveu: "Hitler é um dos nossos alunos... você vai testemunhar um dia em que ele, e através de nós, será um dia um vitorioso e desenvolver de movimento que fará a mundo tremer "(Cavendish: 1983).

A revista Ostara de Lanz foi um ponto focal do racismo ocultista Alemão. Em Ostara, Lanz propôs que os tipos raciais "insatisfatórios" fossem eliminados pelo aborto, esterilização, fome, trabalho forçado e outros meios. Ele também recomendou fazendas Arianas de criação, onde uma raça superior, destinada a controlar o mundo, poderia nascer de forma pura (Cavendish: 1983). Heinrich Himmler, mais tarde, criou um programa de melhoramento (chamado Lebensborn) durante o Terceiro Reich. A semelhança da prescrição Lanz para a eliminação dos "inferiores" às opiniões de Bento Friedlander sugere a possibilidade de uma relação entre o ONT (Ordem do Novo Templo) e a Comunidade da Elite. Um elo foi Harald Gravelle, um membro homossexual da Sociedade Guido von List, que escreveu para ambos Ostara e Der Eigene (Steakley: 67n.34). Gravelle era "o teósofo mais admirado por Lanz, com excepção de Guido List" (Goodrick-Clarke: 100).

Embora não esteja directamente ligado ao ONT, o astrólogo, o Dr. Karl Gunther Heimsoth, foi outro elo entre a Comunidade da Elite Nazi e os ocultistas. Heimsoth, um amigo homossexual de Ernst Roehm, era um nazi. Ele escreveu um livro intitulado Charakter Konstellation, que foi totalmente dedicado ao horóscopo dos homossexuais (Reitor: 81), também era um colaborador do Der Eigene. Heimsoth é lembrado por inventar o termo "homophile" (Oosterhuis e Kennedy: 188), que continua a ser um sinónimo americano para homossexuais.
 
Eugenia
A Sociedade de Thule

Em 1912, vários seguidores de List-Lanz formaram uma organização chamada Ordem Germânica. Discordando radicalmente o foco puramente filosófico e espiritual dos grupos que os dois "mestres" tinham formado, a Ordem Germânica queria assumir um papel activo no cumprimento dos objectivos dos ensinamentos Ariosofista. "O objectivo principal da Ordem Germânica", escreve Goodrick-Clarke, "foi o monitoramento dos judeus e das suas actividades através da criação de um centro para o qual todo o material anti-semita era distribuído" (Goodrick-Clarke: 128). Só arianos puros de origem foram autorizados a tornarem-se membros. A primeira Guerra Mundial interrompeu a organização, mas no rescaldo da guerra dos capítulos da Ordem começou a engajar-se na acção directa contra aqueles que consideravam seus inimigos. Depois da guerra, a Ordem passou a ser "utilizada como uma organização de cobertura para o recrutamento de assassinos políticos" (ibid.: 133) que reavivou as práticas do Vehmgericht, uma sociedade vigilante medieval cuja única sentença era a morte (Waite 1969:216 ss). Entre estes assassinos estavam Gerhard Rossbach, Edmund Heines e outros "Butch" homossexuais, que viriam a ajudar a formar o Partido Nazi (Snyder: 92, Waite: 222f).

Cerca de 354 inimigos dos nacionalistas foram mortos durante os vários anos na campanha de assassinatos Vheme, sendo a mais proeminente Walther Rathenau, ministro das Relações Exteriores da República Alemã durante a Primeira Guerra Mundial. Ironicamente, muitas das vítimas foram mortas por motivos sexuais e não políticos. Waite escreve:

"O Feme [Vheme] foi muitas vezes dirigidas contra ex-companheiros de organizações pós-Free Corps. A própria multiplicidade de Bunds e sociedades secretas levaram à concorrência, brigas e competição morte... e conflito foi intensificado pelo facto de que muitos dos Freebooters eram homossexuais e, portanto, propenso a ciúme e 'amante de brigas'. O caso Mayer-Hermann servirá como um exemplo".

Oberleutnant Mayer foi Kreisleiter do "Arbeitsgemeinschaft Rossbach." Ele também, testemunhou em corte contra o "inimigo das mulheres", como era conhecido o líder, Gerhard Rossbach, e, apoiado por uma tabacaria riquíssima, Kurt Hermann, ele fundou a sua própria "Arbeitsgemeinschaft Mayer." Mas Oberleutnant Mayer igualmente tornou-se alvo de ciúmes de um certo Gebauer, antigo combatente do Báltico, que também estava namorando Herr Hermann. Mayer acusou Gebauer de traição e enviou dois dos seus homens para a casa de Hermann. Eles encontraram o traidor na cama com Herr Hermann e então executaram a sentença do Feme (Waite 1969:222 f).

Em 1917, por causa da associação da Ordem Germânica com o terrorismo político, o seu capítulo bávaro mudou o seu nome para a "Sociedade de Thule", para poupá-lo das atenções de elementos socialistas e pró-republicanos" (ibid.: 144). A Sociedade de Thule manteve muitas das teorias ocultistas originadas por Blavatsky e "tinha laços estreitos com a organização de Crowley" (Raschke: 339). Historiador Wulf Schwarzwaller escreve:

"Resumidamente, o credo do círculo interno da Sociedade Thule era a seguinte:

Thule era uma ilha lendária no extremo norte, similar a Atlântida, supostamente o centro de uma civilização perdida muito avançada. Mas nem todos os segredos desta civilização foram dizimados. Aqueles que sobreviveram estavam sendo guardados pelos Antigos,  seres altamente inteligentes. Era possível estabelecer contacto com estes seres e estes eram capazes de dotar o iniciado com força sobrenatural e energia. Com a ajuda destas energias de Thule, a meta dos iniciados era criar uma nova raça de super-homens de acção 'arianos', que iriam exterminar todas as raças 'inferiores'" (Schwarzwaller: 66-F).

O líder da Sociedade de Thule era um homem chamado Rudolf von Sebottendorf mas o seu principal organizador foi Nauhaus Walter, um ex-membro do movimento Wandervoegel (Goodrick-Clarke: 143). Os membros da Sociedade Thule, que figuraram com destaque na ascensão do nazismo incluiu Hans Kahnert, Dietrich Eckart e Rudolf Hess. Em 1919 Kahnert fundou na Alemanha a primeira organização dedicada aos "direitos gays" a fuer Menschenrecht Bund ("Sociedade pelos Direitos do Homem") que continha Ernst Roehm entre os seus membros (J. Katz: 632n94). Eckart, por sua vez, foi um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores Alemães e tornou-se mentor politico de Adolf Hitler (Shirer: 65). Como Hitler, Eckart era um assinante de Ostara" (JS Jones: 301n91).

Eckart é dito por alguns de ter se envolvido em rituais de sexo tântrico ocultista "semelhante aos de Crowley", e até mesmo de ter iniciado Hitler em tais actividades (Raschke: 399). Embora a confiabilidade da fonte original para  esta informação tenha sido questionada, a perversão desse tipo seria consistente com o perfil de alguém a quem Hitler tinha escolhido para estar próximo. Nós sabemos que Eckart era um dos mais entusiasmados seguidores de Otto Weininger, um supremacista líder homossexual cujas teorias denegriam as mulheres (Igra: 100). Não há dúvida de que Eckart foi fundamental no sucesso de Hitler. "Com Eckart como seu mentor", escreve Schwarzwaller, "Hitler superou os estigmas de pintor fracassado, ex-PFC, e militar dispensado por causa da "falta de qualidades de liderança" e de repente tornou-se num... excelente organizador e propagandista" (Schwarzwaller: 68).

Como Rohm e Lanz, Eckart reivindicou o crédito de "criar" Hitler. Em 1923, pouco antes da sua morte, Eckart escreveu a um amigo, "Sigam Hitler! Ele dançará, mas será a minha música. Nós demos-lhe os meios para manter contacto com eles (ou seja, os 'mestres'). Não sofra por mim por eu ter influenciado a história mais do que qualquer outro alemão"(ibid.: 69). Embora mais tarde viria a ridicularização muitos dos ocultistas e as suas ideias, Hitler dedicou o seu livro, "Mein Kampf", de Eckart, e ao mesmo tempo chamado Eckart o seu "João, o Baptizador" (ibid.: 70).

O membro da Sociedade Thule, que subiria o mais alto em círculos nazis, porém, foi Rudolf Hess (Toland: 124). Hess, um homossexual que foi um dos amigos mais próximos de Hitler, tornou-se eventualmente no Führer deputado do Partido Nazi. Ambos Hess e Alfred Rosenberg tiveram "uma influência sobre Hitler, a quem pregavam o evangelho da Sociedade de Thule" (Angebert: 172). Além do seu envolvimento com a Sociedade de Thule, Hess ainda pertencia a outro ramo do culto teosófico. Foi uma organização chamada Sociedade Antroposófica, formada em 1912 por Rudolf Steiner. Steiner era um ex-líder da Sociedade Teosófica Alemã, que dividiu com o grupo a sua "descoberta" do novo Messias, Hess foi também um firme crente na astrologia e outras práticas ocultas. (Howe: 152)

Himnler
A Elite Nazi

As tendências homossexuais do próprio Hitler é um assunto bem conhecido dos seus biógrafos, e costuma confundir os leigos acostumados a um homossexualismo gentil e liberal que não conseguem enxergar o homossexualismo agressivo e bélico, nazi/romano.  A biografia "Hitler’s Secret: The Double Life of a Dictator" de Lothar Machtan traz alguns dos testemunhos dos amantes do Führer e documentos históricos que não deixam dúvidas.

Ernst Röhm, líder do Sturm Abteilung (Storm Troopers), tentou fazer chantagem contra Hitler, ameaçando revelar a sua sexualidade. Röhm, também gay, foi assassinado por isso. Em 1915, Hitler era um mensageiro no front de batalha em França. Anos depois mas antes de Hitler ser famoso, um dos seus colegas de farda, Hand Mend, escreveu em suas memórias: “De noite, Hitler se deitava com Schmidl, seu prostituto macho”. Ernst Schmidt e Hitler foram “amantes inseparáveis” durante cinco anos.

O historiador Lothar Machtan diz ainda que Hitler era particularmente atraído por Rudolf Hess, (veja a seguir), que era conhecido pelos membros do partido como “Emma negra” e com quem Hitler passou meses juntos na prisão em Landsberg. Waite escreve:

"Ao descrever a sua iniciação na política em Munique, em 1919, Hitler salientou na sua auto-biografia a importância de um pequeno panfleto intitulado 'O meu despertar político'... [escrito por] um doente fanático chamado Anton Drexler... Drexler era um membro adjunto da Sociedade de Thule, o mais influente dos muitos grupos racistas de Munique durante o período imediato pós-guerra. Na época da revolução de 1918, a sociedade possuía cerca de 1500 membros na Baviera e incluiu muitos dos adeptos depois de Hitler. O próprio Hitler, relata-se, 'muitas vezes era um convidado da sociedade'... O Partido dos Trabalhadores - que viria a tornar-se no poderoso movimento nazi... diferira muito pouco dos grupos de discussão e actividades da Sociedade de Thule ou o outros grupos racistas de que todos os fundadores pertenciam" (Waite, 1977:115).

No entanto, outro proeminente nazi que foi fortemente influenciado pelo movimento ocultista alemão foi Heinrich Himmler. Himmler manteve uma estreita relação com um famoso ocultista chamado Karl Mari Wiligut, que ficou conhecido como o "Rasputin de Himmler" (Goodrick-Clarke: 177). Não está claro se essa designação é para implicar que Wiligut possuia a licenciosidade sexual de Rasputin. Wiligut alegou ter um dom de clarividência, a "memória ancestral", certamente, bastante útil para os puristas raciais do Partido Nazi que estavam preocupados em provar a sua própria herança ariana. Wiligut foi responsável por criar o Anel da Caveira e outros símbolos usados por membros da SS.

Sob Himmler, a SS tornou-se numa verdadeira ordem ocultista. Nomes cristãos de soldados da SS eram substituídos por nomes teutónicos, e todos os membros eram obrigados a manter a mais estrita confidencialidade e descolamento do resto da sociedade (Sklar: 100). Nos anos posteriores, Himmler gastou grandes somas de dinheiro em projectos de pesquisas esotéricas, como uma expedição ao Tibete "para procurar vestígios de uma raça germânica pura que poderia ter sido capaz de manter intactos os antigos mistérios nórdicos" (ibid.: 102).

Himmler pode muito bem ter sido um homossexual, no entanto, a sua obsessão intensa com o sigilo e privacidade não nos permite esta afirmação dada o cuidado que tinha em manter oculta a sua vida pessoal. Ele, no entanto, promovia o culto do Mannerbund entre os seus homens. Alguns relatam que as forças especiais das SS exigiam que os recrutas ensaboassem os órgãos genitais uns dos outros durante o chuveiro para criar companheirismo e dependência mútua (Reisman, 1994:3). Mais tarde, Himmler faria ameaças vazias contra os homossexuais em pronunciamentos públicos, mas é claro que ele estava completamente confortável fazendo parte da camarilha de Adolf Hitler de pederastas.

Em todo o caso, podemos ver que as raízes ocultas do partido nazi eram profundas na história alemã, especialmente entre a sua elite dirigente e a sua via mística. Além disso também podemos ver que muitas das figuras ocultas dos principais responsáveis por este legado eram homossexuais. Das raízes pagãs antigas, passando por Blavatsky, List e Lanz, até o próprio Hitler, a evolução do ocultismo homonazi criaram a teoria de uma raça ariana superior e criou uma justificativa metafísica para o extermínio cruel de toda vida "inferior".


Fonte: Morte Súbita Inc.

terça-feira, 24 de março de 2015

Salutar convivência

Sim, a salutar convivência entre adeptos de clubes rivais é possível.
E sim, é verdade, o Benfica já chegou mesmo a vestir-se de azul, em 2000.

segunda-feira, 23 de março de 2015

domingo, 22 de março de 2015

Alerta vermelho

Noite má em Vila do Conde. O que nos vale é que os corruptos também não ganharam na Madeira. Do mal, o menos.

Faltam-nos agora nove finais:

Benfica X Nacional (04/04/15)
Benfica X Académica (11/04/15)
Belenenses X Benfica (19/04/15)
Final da Taça da Liga (25/04/15)
Benfica X CRAC (29/04/15)
Gil Vicente X Benfica (03/05/15)
Benfica X Penafiel (09/05/15)
Vitória de Guimarães X Benfica (17/05/15)
Benfica X Marítimo (23/05/15)

O nosso maior rival tem pelo menos mais três jogos que nós (confrontos com o Bayern de Munique para a Liga dos Campeões e com o Marítimo para a meia-final da Taça da Liga). Temos que nos aproveitar disso e ganhar os nossos jogos.

Força, Benfica!! Eu acredito!!

sexta-feira, 20 de março de 2015

20/03/15

quinta-feira, 19 de março de 2015

quarta-feira, 18 de março de 2015

18/03/15

terça-feira, 17 de março de 2015

Benfica campeão europeu de hóquei em patins feminino

Como é que os chineses lidam com os muçulmanos?

Como é possível não estar do lado da China nesta questão?

segunda-feira, 16 de março de 2015